A
cidade do Porto está situada na margem direita do Rio Douro,
sendo a segunda cidade do país. O Porto é a capital
regional da zona norte.
No
ponto onde se atravessava o rio, existia um povoado designado
por Cale (século V). Mais tarde é referido por Portus
Cale e Portucale, origem do nome do País. Quando Vímara
Peres repovoa esta área no século IX, Portucale
designa também o território dela dependente e no
século X toda a região a sul do rio Lima.
A
Sé do Porto é anterior à fundação
da nacionalidade com a pequena igreja românica da Cedofeita
e o resto das muralhas são parte fundamental do espólio
medieval da cidade. No século XIV a cidade recebe uma nova
cerca. Embora designada por Fernandina, a sua construção
deve ter ocorrido entre os reinados de D Afonso IV e D. João
I. Esta fortificação define o núcleo histórico
do Porto.
A
cidade colaborou na Descobertas desde o ínicio. Daqui partiu
a esquadra do Infante D. Henrique para participar na conquista
de Ceuta.
No
final do século XV o Porto tinha uma só freguesia
e a sua população não ultrapassaria os 10
000 habitantes, enquanto Lisboa tinha 50 000.
No
século XVII o Porto conhece um importante crescimento relacionado
com o comércio do vinho. A assinatura do Tratado de Methuen
(1703) favorece a exportação de vinhos para a Grã-Bretanha
e depois cria a Real Companhia da Agricultura dos Vinhos do Alto
Douro.
Com
o incremento do comércio, aumentaram as colónias
de ingleses e outros europeus, exercendo a primeira grande influência
na cidade. O esplendor do barroco de Nasoni, tão divulgado
no Norte, deixa em muitos edíficios da cidade a marca da
prosperidade.
Um
outro período da história urbana do Porto ocorre
no século XIX em consonância com a revolução
Industrial. Instalaram-se fábricas, construiram-se bairros
burgueses e operários e abriram-se avenidas. O Porto tornou-se
uma cidade mercantil e industrial, sendo o principal centro na
freguesia de Massarelos. Neste lugar, que começou por ser
um centro produtor de sal no século XIII, instalaram-se
fundições, moagens e o primeiro centro térmico
da cidade. Actualmente, os ramos da indústria mais representativos
em termos de emprego são os dos textéis, vestuário,
alimentação e bebidas, artes gráficas e edição
de publicações e química.
Com
o aumento do emprego industrial na cidade, cresce também
a atracção que ela exerce sobre os campos. O problema
do alojamento encontra no Porto uma resposta peculiar representada
pelas "ilhas". Solução talvez inspirada
em formas antigas, é constituída por pequenas habitações
em banda, dando para estreitos corredores que enchem o interior
dos quarteirões.
Foi
também no século XIX que se constituiu o Porto burguês.
Em 1855 foi inaugurada a iluminação pública
e o cemitério de Agramonte. Neste século, em 1865
foi inaugurado o Palácio de Cristal.
O
desenvolvimento de uma cidade não se faz sem transportes
e o Douro era um obstáculo díficil que só
foi decididamente ultapassado com o progresso técnico do
século XIX. Depois da Ponte das Barcas(1806) e da Ponte
Pênsil (1842), em 1877 foi erguida a Ponte Dona Maria, que
leva o comboio de Vila Nova de Gaia até Campanhã.
Em 1886 é inaugurada a Ponte D. Luís, de Gustav
Eiffel. Em 1963 foi aberta ao trânsito a Ponte Arrábida
e, finalmente em 1992 Edgar Cardoso termina a construção
da Ponte de S.João, que vai substituir a ponte Dona Maria
na sua ligação ferroviária com o Porto.
Do
ponto de vista comercial e de serviços, o Porto apresenta
uma grande quantidade e diversidade. O desenvolvimento económico
arrastou as áreas periféricas que registam grande
crescimento populacional, sendo uma importante área suburbana.
No
ínicio do século XX, o estabelecimento do Porto
marítimo em Leixões, Matosinhos determinou o abandono
do Porto fluvial. O Porto é uma cidade industrial.
As
pequenas oficinas prosperam por todo o lado mas são as
fábricas e "ilhas" em Cedofeita, Santo Ildefonso,
Bonfim e Campanhã que caracterizam uma cidade que se estende
por entre quintas, casas e hortas, muito além dos limites
fixados pela Estrada da Circunvalação.
A
renovação do centro do Porto inicia-se com a República,
pela abertura da Avenida dos Aliados e a edificação
dos novos Paços de Concelho. Visa-se a requalificação
do centro cívico e financeiro, formado em torno da Praça
de D. Pedro, perto da Estação de S. Bento (inaugurada
em 1909). A transformação da cidade será
obra do Estado Corporativo, com a Ponte Arrábida e a Via
Rápida que ligam a margem sul do Douro ao Porto de Leixões
e ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro.
A
revolução democrática trouxe a consciência
da necessidade de um desenvolvimento mais harmonioso e a aprovação
do Primeiro Plano de Urbanização municipal. A nomeação
do Porto como Património Mundial abriu perspectivas para
uma renovação da parte antiga da cidade, a reestruturação
das redes de circulação regionais que ignoraram
a parte norte e nascente da cidade. É no lado poente, no
grande eixo da Boavista que se erguem os primeiros Centros Comerciais
e se encontram os serviços centrais de Correios e Telecomunicações.
As
freguesias do Porto são: Ramalde, Lordelo do Ouro, Nevogilde,
Aldoar, Foz do Douro, Massarelos, Paranhos, Cedofeita, Miragaia,
Victória, São Nicolau, Santo Ildefonso, Sé,
Bonfim e Campanhã.
O
Porto tem 327 268 habitantes só na cidade; 999 267 na área
metropolitana e 1, 562, 287 habitantes no distrito.
Copyright:
Maria João Rua