Concelhos - Paredes - Resenha Histórica


História de Paredes

Paredes integra-se numa das regiões mais prósperas e paisagisticamente interessantes de Portugal: o Vale do Sousa. O actual Concelho de Paredes assenta no antigo concelho de Aguiar de Sousa, que data dos primórdios da Monarquia. De acordo com investigação efectuada, o concelho de Aguiar de Sousa surgiu de um pacto de povoamento do Vale do Sousa, pelo que não estaremos errados, se apontarmos o século XII, como o período em que foi criado. De facto, nas Inquirições de 1258, mandadas fazer por D. Afonso III, conforme consta do fascículo II, Vol. I, do Corpus Codicum Latinorum, referem-se algumas das actuais freguesias do concelho de Paredes, pertencentes, ao então, grande julgado de Aguiar de Sousa (Estremir, Crestelo, Villela, Bendoma, Ceti, Gondalães, Veire, Gandera...). Aliás, o primeiro foral ligado a terras do concelho foi dirigido "aos homens de Aguiar e Paroquianos da Igreja de S. Romão" tal como aparece referido nas Inquirições de 1258, acima citadas. As Inquirições eram uma espécie de Registo Predial, onde se enumeravam as casas, as terras, os donos e quanto estes pagavam de impostos, em dinheiro ou em géneros (galinhas, ovos, costados com pé, cabritos, cereais,.) e a quem pagavam. Concretamente, no julgado de Aguiar de Sousa, ou pagavam ao Rei ou aos Conventos de Cête, Vandoma e Vilela. Aguiar de Sousa recebeu foral em 1269, confirmando em 1411 por D. João I e reiterado por D. Manuel I em 1513. Sensivelmente na mesma altura, Baltar recebia também a categoria de concelho. Com foral próprio, era constituída por uma câmara com dois vereadores, juiz ordinário, tribunal, cadeia, forca e pelourinho, sendo sujeita à justiça superior de Barcelos. Esse foral enunciava os tributos e direitos da coroa a cobrar em Baltar, os foros e rendas senhoriais, os casais existentes na Honra e os respectivos privilégios. Baltar foi elevada a categoria de vila, passando assim, a ter enormes direitos, só comparáveis às maiores povoações do reino. D. João V, a 6 de Março de 1723, confirmou esses privilégios. Extinto em 1837, o concelho de Baltar era constituído por 9 freguesias: Baltar, Cête, Vandoma, Astromil, Gandra, Sobrado, S. Martinho do Campo, Rebordosa e Lordelo. À excepção de Sobrado e S. Martinho de Campo, que actualmente fazem parte de Valongo, todas as outras seriam posteriormente integradas no concelho de Paredes.
Foi por volta do séc. XVIII que o pequeno lugar de Paredes, integrado na freguesia de Castelões de Cepeda, foi ganhando importância. Assim, em finais do séc. XVIII, já existiam os Paços do Concelho e o pelourinho. Paredes tinha então o aspecto de uma verdadeira cidade, embora nem sequer tivesse a categoria de vila. Os Paços do Concelho funcionariam, nessa altura, no corpo central do edifício que foi, em 1780, ampliado por D. Francisco Almada e Mendonça, Corregedor do Porto, situado na actual Rua Dr. José Magalhães. Embora se opine que a sede do concelho foi sempre a povoação de Paredes da freguesia de Castelões de Cepeda, não cremos que assim tenha sido, ab initio. No entanto, pelo menos desde o século XVI, que a cabeça do concelho de Aguiar de Sousa é Paredes. Em 1821 Aguiar de Sousa era extinto como concelho e grande parte das suas freguesias eram anexadas a Paredes. Com a criação do concelho de Paredes, não só se extinguiu o de Aguiar de Sousa, com ainda o de Baltar, Louredo e Sobrosa que emergiram da crise liberal e tiveram duração pouco superior a dois anos.
O concelho de Paredes foi criado por Passos Manuel apenas em 6 de Novembro de 1836, como resultado do reordenamento que ocorreu com a entrada da Constituição de 1820. Nesta data passou a conter algumas das freguesias do extinto concelho de Aguiar de Sousa, englobando um total de 23 freguesias. Em 1855, dos vários lugares da freguesia da Sobreira criou-se a freguesia de Recarei. Com esta configuração, Paredes passou a vila em 7 de Fevereiro de 1844, data do Alvará Régio de D. Maria II que elevava Paredes a essa categoria, com os correspondentes direitos e deveres por "a mesma povoação possuir os necessários elementos para sustentar com dignidade a categoria de vila".
A partir de 20 de Junho de 1991, Paredes ascendeu justamente à categoria de cidade. Decorria o ano de 1988, e o Presidente da Câmara apresentava na Assembleia Municipal uma proposta no sentido de entregar às entidades competentes o processo com o pedido formal de elevação da vila de Paredes à categoria de cidade. O processo foi moroso, mas três anos decorridos o sonho de todos os paredenses foi concretizado.