Concelho de Abrantes - Lendas e Contos

Lenda de D. Luiz
D. Luiz foi baptizado na Igreja de Santa Maria do Castelo. Não se sabe muito bem quantos anos viveu em Abrantes.
Mas deixou-nos uma lenda passada na sua vida, para engrandecer o nosso património cultural, lenda que passo a descrever:

Diziam os antigos que D. Luiz foi conquistador de damas formosas, e trouxe à corte as damas mais belas, de todas as cortes, até que escolheu uma, para sua companheira.
Dizia o povo, que ela era duma beleza tão invulgar, tanto no seu rosto como nos traços do seu corpo, que de todas as cortes vinham cavaleiros, para a verem de perto e, admirarem a sua beleza.
Por esse motivo tornou-se D. Luiz um homem extremamente ciumento, ao ponto de a deixar fechada em seu quarto, e guardada por duas aias, quando D. Luiz se ausentava para as suas caçadas. Na sua ausência, a curiosidade de seu pai, que vendo tão perto tão belo rosto quis observar de perto a beleza do seu corpo.
Mandou dar um chá de durmideiras, às damas e à sua nora. A dama encontrava-se dormindo e tapada com uma colcha de parras bordadas a ouro, que de o rei seu pai ao destapar, já não conseguiu por como D. Luiz a deixou.
Quando D. Luiz chegou da sua caçada, foi ao quarto para cumprimentar a sua dama. Ao ver a colcha mexida, logo se apercebeu que alguém em sua ausência, ali tinha deixado. À medida que aumentavam os seus ciúmes, ele ia votando a sua dama ao mais profundo desprezo.
Teve um dia, uma ideia que tratou logo de por em prática. Mandou organizar uma festa na corte e convidar os mais nobres cavaleiros, para ver se a sua dama lançava alguns olhares especiais para algum deles, para descobrir e mandar matar quem o atraiçoou.
Começou a festa, e quando chegou a altura de brindarem, ele ordenou que fosse a sua dama a primeira a erguer a taça e brindar.
Ela ergueu a taça e disse: - "Eu já fui amada e querida, hoje já não, não sei porque razão!" Depois chegou a vez de seu esposo D. Luiz, que ergueu a sua taça dizendo: "- Eu tinha uma vinha e que belas uvas tinha, o ladrão que lá entrou não sei se a vindimou".
Ao chegar a vez do Rei, seu Pai, ergueu a taça e brindou. Eu é que fui o ladrão que na tua vinha entrei, parras de ouro descobri, mas, juro-te pela minha coroa, que nas uvas não buli. Ficou então D. Luiz com as dúvidas esclarecidas, e, ao terminar a festa, voltou a reinar a paz em seu coração e amar a sua dama, que nunca tinha deixado de ser fiel.